sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O Eu lírico do professor

Um ser dividido, subtraído, adicionado e multiplicado
Muitas vezes lido, discutido e mal interpretado
Embora não seja reconhecido
Nem sempre está esmorecido
É sinônimo de luta
E em qualquer circunstância
Avante e firme nesta incansável labuta
Às vezes é até engraçado
Quando ao final do ano já está estafado
Segunda-feira, antes de a aula começar
Posso o quadro apagar?
Resquícios da sexta-feira
Que ainda ficaram no ar
Gargalhadas ainda embriagadas pelo sono
Dos que ainda não estão dispostos a despertar
Mas no limiar de um dia tão comprido
Nunca se dá por totalmente vencido
E sua batalha firme e forte continua
Onde muitos perambulam no mundo da lua
O dia transcorre sereno?
Não, agitado.
Já acabou! Parece que já é hora de recomeçar…
Vou me espairecer um pouco antes de deitar
Agora já posso rezar e fazer o sinal da cruz
Um, dois, três, quatro
Não é hilário mesmo?
Já não consigo mais orar
Estou trocando o sentido da oração pelo ato de ensinar
Mas creio em Deus e ele há de me escutar
Mesmo quando as minhas ideias começam a variar
Pois, todos os dias, eu tenho que perseverar
Nessa incessante luta que jamais pode parar.


de José Maria Dias dos Santos
Poté - MG - por correio eletrônico